Sábado, 19 de Julho de 2008
Sua
na avenida principal da cidade
no caminho pra minha casa,
no caminho das minhas saudades...
palavras são assaltantes cruéis
na falta de você
Quarta-feira, 2 de Julho de 2008
Eu não sou, estou.
Moro em algumas caixas, em algumas cabeças, embaixo de alguns pés e dentro de corações povoados. Disputo espaço com o que é relevante e raramente venço. Sei ser pesadelo, sei ser sonho. Eu consigo até ser real, de vez em quando. Sou de brotar na memória em dia de congestionamento. Sou de desfazer em retalhos, de ser reduzida em pedaços. Sou às vezes a menina sem nome. Sou o cheiro de sabonete depois do banho, a toalha molhada em cima da cama, o pijama amarrotado de manhã. Sou as olheiras, as bebedeiras, os sucos de maçã. Sou o colo, o pólo, um cubo de gelo. Sou o oposto, o imposto, o avesso. Sou mais inverno que verão. Mais outono que primavera. Mais fogo que caixão. Sou mais feia que bonita. Mais verdade que mentira. Sou de abraços, carinhos, aconchegos. Sou de liberdade. Sei fazer sofrer, mas não faço. Sei fazer chorar, mas não faço. Sei fazer morrer e me mato. Sei ser descartável, mas não gosto. Sou de dançar miudinho, de chorar baixinho, de sentar no cantinho pra ceder espaço. Sou de sussurrar, de cantar, de sonhar. Sou a do olhar pequeno, do amor miúdo. Sou de sustentar o sonho, de soprar o vento, de soltar os pássaros. Sou a do viver quietinho, a que não dá trabalho. Moro em favelas, castelos, nuvens e embaixo de asas de coruja. Sou mais de filme que de novela. Mais de queixo que de costelas. Mais de água que de terra. Mais de vento que de terra. Mais de mãos do que de pés. Mais de maios que de julhos. Sou mais de sonhos que de signos. Mais de vontade que de destino. Sou mais coração que cérebro. Mais de tropeços que de troféus. Sou mais de teatro que de cinema. Mais de cinema que de corrida. Mais de corrida que de academia. Sou menos alegre e mais agressiva. Menos amável e mais esquecível. Perecível, eu sou matéria. Sou mais de livros que de tragédias. Mais de quietudes que de modernos. Mais de solitude que de solidão. Mais de solidão que de aglomerados humanos. Mais de vicência que de saudade. Mais de infância que de tolice. Mais de sede que de fome. Mais de dentro que de fora. Um pouco humana, um pouco não-existente. Pairo entre o pálido e o branco. Prefiro chinelos à tamancos. Sou menos de levianos e mais de corações quentes. Sou mais de menos e menos de mais, sou redundante. Sou mais de perder que de roubar. Moro em poços, esboços, fundos de gavetas.
Domingo, 22 de Junho de 2008
Você
Domingo, 15 de Junho de 2008
Decorando o castelo
Das pedras do caminho, fiz meu castelo.
Na maciez de uma nuvem, flutuante e maciço.
Quando tudo é pedra, eu atiro a primeira flor.
Sábado, 7 de Junho de 2008
Des-medido
Há 3 meses
os meus sorrisos são seus;
Há 3 meses os meus beijos e abraços
são seus;
Há 3 meses o meu mau humor
é seu;
Há 3 meses eu sou tão sua
de um jeito que eu nunca imaginei ser de alguém
além de mim.
Feliz 3 meses, amor.!!
Sábado, 31 de Maio de 2008
Dia de Poesia
Laura Moreira
"Quando é dia de poesia
Eu tenho vontade de sair correndo.
Pegar o telefone, ver um amigo, beber, trepar,
Qualquer coisa que tire isso da cabeça.
São dias que um nada faz chorar
E um olhar opaco é uma violência.
Um filme fotográfico que imprime
As minúsculas coisas da vida.
Os dias de poesia são os piores,
A poesia sufoca.
E então tudo comove, angustia, excita, desespera
E eu quero fugir, muito mesmo.
Porque poesia é morte
E mergulhar é morrer um pouco.
As vezes eu tenho coragem
As vezes eu viro o rosto
E finjo que não é comigo.
Muitas vezes eu viro o rosto e finjo que não é comigo.
Eu adoro quem diz que poesia é bonitinha
E os olhos brilham e dão logo um suspiro de amor.
E tem inveja dos poetas pelo gênio, sensibilidade, glamour.
Esses nunca leram poesia
E se leram nunca comeram poesia e respiraram poesia e choraram poesia
Quando a poesia vem
A gente tenta sempre pensar em outra coisa
Qualquer coisa, porque é um cansaço.
Porque ser poeta é um cansaço.
A poesia é suja e feia que nem sexo é sujo e feio.
A poesia escorre pelo queixo e mancha a roupa,
Vem com o orgasmo e lambe a orelha.
A poesia é bêbada e dorme sempre com o rosto na sarjeta.
Ser poeta é amar o feio, o torto, o disforme
Porque poesia é torta, feia e disforme,
Retrato da vida.
Ser poeta é amar o que é
Sem excentricidades."
Sexta-feira, 30 de Maio de 2008
Felicidade
Apelo do Amor – Danielle Steel
